Quem sou eu

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"Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso responde-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.” [Anaïs Nin]

quinta-feira, 26 de agosto de 2010




"Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.


Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se , e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques - tudo isso ajuda a atravessar agosto."


Caio Fernando Abreu

Sem muito tempo pra postar, estudando pra OAB...
Ai, ai, ai...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sobre as regras do amor...

No amor é assim: às vezes a gente se pega pensando se é melhor ditar as regras claramente, quase um "passo-a-passo-para-não-quebrar-meu-coração", ou esperar que ele seja aquele princípe encantado (e descubra que você adora acordar e vê-lo olhando pra você, ou que dê palpites sinceros sobre a cor da sua unha, troque um domingo inteiro com os amigos pra se jogar no sofá com você ou te avise, antes de você notar, que o que você tem é tpm e jájá passa). Eu confesso que até hoje não sei qual jurisprudência adotar nesse assunto. Porque, todo mundo sabe né?, mulher e expectativa juntos são uma merda. Então a gente espera tanto um princípe que nunca virá, ou já veio, mas a gente não notou porque estava esperando algo mais. Por outro lado, ditar as regras do jogo e zerar as expectativas deixa tudo muito chato. E a gente acaba caindo no: ele só fez aquilo porque eu pedi. deixando esse dilema sem solução de lado, mais importante do que isso é perceber que ditar as regras do jogo evita possíveis decepções futuras. O amor também tem disso, a gente suporta dores e saudades e infernos amorosos por aquela pessoa que a gente ama, mas chega um dia que o caminho de volta se desfaz e, mesmo que a gente queira e tente perdoar, alguma coisa que havia ali já não há mais. Ditar as regras é evitar que, se ele for um jogador disciplinado, o caminho de volta de desfaça e "lá se vai mais um amor". nada easy tudo isso. Até porque desprovidos de racionalidade amorosa, que é o que ocorre na paixão, o que se faz é puro impulso, fantasia, expectativas.

Como boa romântica, ainda não consigo evitar de pensar que, em alguns casos, os melhores jogadores são aqueles que aprendem as regras do jogo sem que ninguém os diga.

Cinco minutos ou cinquenta anos

Eu queria ser a maior das poliglotas para traduzir o estado atual das coisas. Nesses minutos exerceria qualquer outro papel que não fosse o de interrogação. Deixaria de ser a maior piada entre aquelas que conto por aí tentando convencer qualquer um da veracidade dos meus sorrisos projetados. Eu enviaria todas as cartas que escrevi e nunca mandei. Não mais alimentaria qualquer história que viesse agregada a um viés de ilusão. Colocaria um ponto em todas as pausas. Em seguida tomaria a quantidade suficiente de algum destilado para curar qualquer resquício de mágoa com zero lucidez e sorrindo de tudo, inclusive de mim. A partir de então, o ritmo seria o psicodélico que a vida tem obrigado nos últimos meses. Correndo na cadência dos anseios mais intimamente guardados, não mais me atrasaria. Eu chegaria na hora exata para viver qualquer felicidade que não exista apenas no plano do impossível, imaginaria que tudo poderia acontecer daqui cinco minutos ou daqui a cinquenta mil anos.

sábado, 14 de agosto de 2010


Eu estava precisando de uma folga de tudo pra poder ser eu mesma, mesmo que isso significasse não ser tão boa em tudo como todo mundo julgava que eu devesse ser.

Precisava fechar os olhos e chorar, sabe?
Mas não um choro com lágrimas que corresem fora dos meus olhos, não.
Eu precisava me chorar um pouco, chorar fundo, me rezar, me acalmar sozinha, me olhar melhor porque eu andava tão perdida dentro de mim.
Eu estava com mais medo do que qualquer um poderia supor, ninguém suporia por fora, porque por fora ainda era só belo.
Eu precisava de um tempo de reclusões pro meu belo não ser só externo, e pra eu voltar a ser bonita.
Eu estava precisando de um tempo sem muitas mentiras.
As poucas eu até poderia lidar, aos poucos.
Mas não mais mentiras feias, as sujas, as que até eu mesma tinha vergonha de contar pra mim.
Eu precisava de encanto de céu, de mar e de lua à portas trancadas e paredes altas, sem teto...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010


"Bem, feliz talvez ainda não,
Mas tenho assim... aquela coisa...
Como era mesmo o nome?
Aquela coisa antiga?
que fazia a gente esperar
que tudo desse certo, sabe qual?
Esperança?
Não me diga que você está com esperança?
Estou, estou"

(Caio F. Abreu)

 E mais uma vez a melancolia me invade! (suspiro)

domingo, 8 de agosto de 2010

"Você vai me sorrir, você vai se enfeitar e vem me seduzir..."
(Você vai me seguir, Chico Buarque de Hollanda)

 
 

Não que fosse impossível, mas como amar alguém que não ouve a mesma canção?
Como amar alguém que não decifra o que há na música, que não entende só a melodia, que não vê a poesia na letra e se emocina?
Como não perceber as possibilidades de um amor louco ou breve na canção que se descreve?
Como não precisar quando a voz vibra de saudade ou de dor? Não se ama alguém que não ouve.


Não se planeja uma vida com alguém que não ouve a mesma canção, não se preocupa com a poesia, que não a entende, nem a sente, nem a perpetua. Não se ama alguém que não tenha um livro de Caio F. Abreu, um cd do Chico ou de Maria Bethânia, um quadro na parede e um amor do passado. Aliás, não se ama alguém sem passado, sem história, sem uma saudade de alguma coisa que até quando você olha nos seus olhos sente arder. Quem tem saudade, tem alguma coisa boa que vem desde muito tempo. Não se ama alguém pronto, alguém preparado, alguém seguro de tudo. Só se ama alguém que ainda podemos ver crescer, crescer junto com o que também queremos ser.

Não se entrega um sonho nas mãos de alguém que não ouve a mesma canção, de alguém que não ocupa o teu pensamento todo, e não te retribui em dobro o gesto e o riso. Não se ama alguém que não lê jornais, que não come besteiras, que duvida no toque do telefone. Não se ama alguém que não conhece teu perfume, teu prato e teu lugar preferido. Que não percebe que teu temperamento não é teu signo, que não acredita no que você daria a vida. Não se ama alguém em quem não se confia de olhos fechados e de coração aberto.

Não se apaixone por alguém que não ouve a mesma canção, nem goste de leituras e cafeterias. Não se ama alguém que não tenha plantas em casa, não use tapete na porta de entrada e não goste de comtemplar um céu estrelado. Não se ama alguém que derrete na chuva e se torra no sol. Não se ama alguém que não viaja, que não planeja, que não tenha expectativas, nem que sejam mínimas e tolas. Não se ama quem fala pouco, quem gesticula antes da palavra e que não cante junto com a música.

Não se ama quem nunca quebrou um copo, quem nunca esqueceu as chaves, quem está satisfeito com a cor da sala, quem não tem compromisso, quem perde a hora, quem joga extratos fora, quem se muda toda hora, que não tenha manias, que não acorde com o rosto amassado de manhã. Desconfie se não te olhar nos olhos, se não te der segurança no dar das mãos, se mudar de assunto no domingo de manhã e principalmente, com toda certeza, desconfie, mude, termine se não ouvir a mesma canção.

Os dias cinzas são lindos...


Tem dias que a cidade cinza descansa nos meus olhos sossegada. Descansa seus tons em branco e preto como se não soubesse que eles me machucam. Tem dias eles parecem mais cinzas. Hoje, acho que porque ontem meus olhos se fecharam em outro tom. E de repente se abriram no cinza dessa cidade. Quem sabe seja só uma desculpa pra eu poder brincar com as minhas metáforas. Não sei. Ou a procura desesperada pelos motivos. Só porque meu coração insiste em procurar, e só por isso ele insiste em bater. Tenta enganar meus olhos, sorrateiro. Mas nunca consegue. E meus olhos, vez ou outra, se cansam dessa brincadeira. Respiram fundo (se é que isso é possível) e tenta a todo custo acomodar a dor num cantinho. Pra ver se esqueço que os motivos estão tão distantes dos meus olhos.