É preciso que você venha nesse exato momento. Abandone os antes. Chame do que quiser. Mas venha. Quero dividir meus erros, loucuras, beijos, chocolates. Apague minhas interrogações. Por que estamos tão perto e tão longe? Quero acabar com as leis da física, dois corpos ocuparem o mesmo lugar! Não nego. Tenho um grande medo de ser sozinha. Não sou pedaço. Mas não me basto. Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.
(Caio Fernando Abreu)
Quem sou eu
- Flor de Lis
- "Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso responde-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.” [Anaïs Nin]
sábado, 30 de outubro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Me faz sorrir. =)
♪ Quando me sinto assim
Volto a ter quinze anos
Começando tudo de novo
Vou me apanhar sorrindo!
(...)
Seu amor hoje
Me alimentará amanhã... ♪
♥
Volto a ter quinze anos
Começando tudo de novo
Vou me apanhar sorrindo!
(...)
Seu amor hoje
Me alimentará amanhã... ♪
♥
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Tudo o que eu preciso...
Quatro pegadas na areia.
O barulho do mar.
Teu olhar no meu.
Sol a brilhar.
O som da tua voz.
Aquela canção.
Violão e luar.
Coração na mão.
Céu estrelado.
Um cobertor.
O balanço da rede.
Nosso amor.
O barulho do mar.
Teu olhar no meu.
Sol a brilhar.
O som da tua voz.
Aquela canção.
Violão e luar.
Coração na mão.
Céu estrelado.
Um cobertor.
O balanço da rede.
Nosso amor.
I wanna hold your hand.
I wanna hold your hand
Sempre que sentir vontade.
Come together,
Pois é do teu calor que preciso
I want you, sem demora
Pois, já posso dizer:
It's only love, and that's all...
Let it be!
Deixa que eu te levo
Across the universe
Na nossa viagem louca,
Magical mistery tour,
Deixe-me sussurar nos teus ouvidos:
- Good day sunshine
In my life,
Vivi acreditando que te acharia,
Sabia que viria de nossos devaneios
De palavras, frases, poesia...
Nem precisava dizer...
Sim, I need you.
Preciso dos teus olhos de mel,
Das tuas páginas que coleciono,
Do teu sorriso maior que o Sol...
Da tua boca de beijar e cantar!
Sempre que sentir vontade.
Come together,
Pois é do teu calor que preciso
I want you, sem demora
Pois, já posso dizer:
It's only love, and that's all...
Let it be!
Deixa que eu te levo
Across the universe
Na nossa viagem louca,
Magical mistery tour,
Deixe-me sussurar nos teus ouvidos:
- Good day sunshine
In my life,
Vivi acreditando que te acharia,
Sabia que viria de nossos devaneios
De palavras, frases, poesia...
Nem precisava dizer...
Sim, I need you.
Preciso dos teus olhos de mel,
Das tuas páginas que coleciono,
Do teu sorriso maior que o Sol...
Da tua boca de beijar e cantar!
domingo, 24 de outubro de 2010
Da perfeição.
Me diz o que queres de mim. Que eu te dou
Todo o meu amor e um pouco mais
Cais pra aportar teus sonhos
Mar pra navegar teus planos
Não me deixa solta assim
Que eu não quero o cheiro do amanhecer
O perfume que me apraz sabes qual é
Sei do teu medo e teus trajetos incertos
Mas deixa que a cada dia nós iremos
Tecendo cada um
E se depois não for como queríamos
Mesmo assim eu lembrarei
Da perfeição dos nossos dias
Da perfeição de como víamos a vida
Da perfeição que era beijar teus lábios
Debaixo de chuva
Debaixo da lua
Debaixo de qualquer lugar
Contanto que estivesses lá.
Todo o meu amor e um pouco mais
Cais pra aportar teus sonhos
Mar pra navegar teus planos
Não me deixa solta assim
Que eu não quero o cheiro do amanhecer
O perfume que me apraz sabes qual é
Sei do teu medo e teus trajetos incertos
Mas deixa que a cada dia nós iremos
Tecendo cada um
E se depois não for como queríamos
Mesmo assim eu lembrarei
Da perfeição dos nossos dias
Da perfeição de como víamos a vida
Da perfeição que era beijar teus lábios
Debaixo de chuva
Debaixo da lua
Debaixo de qualquer lugar
Contanto que estivesses lá.
Café
És como a vida:
A cada um cabe a tarefa de adoçar-te.
Uns bebem de ti apenas o negro de tua cor:
Rebate-os com teus alertas amargos.
Outros sabem do acúcar a porção exata,
E te tornas o aroma fresco das manhãs...
Vida, o quanto devo dosar em ti dos cristais?
A cada um cabe a tarefa de adoçar-te.
Uns bebem de ti apenas o negro de tua cor:
Rebate-os com teus alertas amargos.
Outros sabem do acúcar a porção exata,
E te tornas o aroma fresco das manhãs...
Vida, o quanto devo dosar em ti dos cristais?
sábado, 23 de outubro de 2010
Ela apenas sorria.
O relógio despertou ao som de Beirut e ela levantou sem mostrar sacrifício algum naquele ato. Olhou para o céu, lindo, típico daquela época do ano. Na cozinha, ainda sonolenta, instintivamente ligou o rádio e ouviu qualquer coisa sem prestar atenção. Preparou sua xícara de café com duas metódicas colheres de açúcar. Tomou. Sentiu o amargo da bebida e, como todos os dias, como se não soubesse que o faria, colocou a terceira. Gostava daquele silêncio matinal. De envolver-se em seus pensamentos solitários, seus, somente seus. Do som apenas das músicas que ficariam em sua cabeça até o fim do dia. Voltou ao quarto e trocou-se. Naquele dia, calça jeans e blusa branca. Adorava seu percurso. Guiar o carro, ouvindo Chico e sentir o vento jogar seu cabelo para trás e refrescar-lhe a face era uma de suas sensações favoritas. Finalmente chegou ao trabalho. Sorriu desejando bom dia a todos. Para tantos, uma chatice toda essa formalidade. Para ela, um prazer que podia desfrutar todos os dias. Ela adorava aquilo, aliás, adorava seu trabalho. Nada conseguia desanimá-la. Nem mesmo a pilha de papéis para ler, despachar e cumprir. Afinal, aquele sentimento proporcionava a ela algo que ninguém imaginava. Um motivo oculto que fazia do seu dia-a-dia um mistério para os outros, ao vê-la trabalhar sorrindo e cantando a música que escutara mais cedo no rádio, não obstante a sua mesa coberta de papéis. Já nem ligava quando perguntavam o porquê de tanta alegria. Ela apenas sorria.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Um mensagem, uma resposta.
Bip... caixa de entrada...
responder... caixa de saída... itens enviados.
- Aqui chove.
- Eu te abrigo das gotas e te derramo carinhos.
- Aqui faz frio.
- Eu te agasalho do vento e te sopro abraços.
- O tempo passa lentamente.
- Eu te entrego meu ponteiros e te ofereço meu compasso.
- Só a saudade aumenta.
- Eu te cerco com amor e te prometo ser em dobro.
- Beijo enorme.
- Eu te enfeito o presente e te chamo para o futuro.
- Eu te lanço sorrisos pelas ruas.
- Serei seu sol
- e eu sua lua.
responder... caixa de saída... itens enviados.
- Aqui chove.
- Eu te abrigo das gotas e te derramo carinhos.
- Aqui faz frio.
- Eu te agasalho do vento e te sopro abraços.
- O tempo passa lentamente.
- Eu te entrego meu ponteiros e te ofereço meu compasso.
- Só a saudade aumenta.
- Eu te cerco com amor e te prometo ser em dobro.
- Beijo enorme.
- Eu te enfeito o presente e te chamo para o futuro.
- Eu te lanço sorrisos pelas ruas.
- Serei seu sol
- e eu sua lua.
Acorde perfeito.
O amor da gente é tão belo,
É acolhedor como um abraço de mãe,
É sublime como um canto perfeito
Ele é assim: um para o outro;
Ele é a melodia dos anjos
Que nem todas as músicas
Unidas chegariam nem sequer a primeira nota.
É o Dó e o Si, é em ti e em mim
O acorde maior perfeito
Ligado na partitura e na alma
Uníssono que ecoa dentro do peito.
É a tradução inexata
A canção da não-descrição
São olhos que se refletem como espelho
É o ninho macio e aquecido
É o perfume que se sente na chuva
É a luz que ilumina as ruas
É o encanto de embriagar-se ao som de um velho blues
É não saber, nem querer saber, o que fazer agora
É o amor que não nega o poeta
É a pertubação se fica distante
E a explosão de risos quando se falam
É o abrir as mãos e deixar cair as incertezas.
O nosso sentimento
Faz mudar o coração mais duro
Faz crescer a flor mais bela
Nosso amor faz lembrar o belo
O belo que é o sorriso nos teus lábios
E é por isso que escrevo
E meu coração se enche de esperança.
É acolhedor como um abraço de mãe,
É sublime como um canto perfeito
Ele é assim: um para o outro;
Ele é a melodia dos anjos
Que nem todas as músicas
Unidas chegariam nem sequer a primeira nota.
É o Dó e o Si, é em ti e em mim
O acorde maior perfeito
Ligado na partitura e na alma
Uníssono que ecoa dentro do peito.
É a tradução inexata
A canção da não-descrição
São olhos que se refletem como espelho
É o ninho macio e aquecido
É o perfume que se sente na chuva
É a luz que ilumina as ruas
É o encanto de embriagar-se ao som de um velho blues
É não saber, nem querer saber, o que fazer agora
É o amor que não nega o poeta
É a pertubação se fica distante
E a explosão de risos quando se falam
É o abrir as mãos e deixar cair as incertezas.
O nosso sentimento
Faz mudar o coração mais duro
Faz crescer a flor mais bela
Nosso amor faz lembrar o belo
O belo que é o sorriso nos teus lábios
E é por isso que escrevo
E meu coração se enche de esperança.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Eu? Eu.
"- Você tem um cigarro?
- Estou tentando parar de fumar.
- Eu também. Mas queria alguma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos.
- Eu?
- Eu. "
(Caio Fernando Abreu)
Não, não se afasta.
Sem sentido, sem sentir.Só sentada. Só isso. Sentada, parada, pensando no sentido disso tudo, afinal.
No sentido que tem, começar a sentir de repente, algo muito sem sentido. E só pensar, pensar, pensar. Pensar e arder.
Olhar as cores tão vivas, o café tão quente, e pensar de novo: “qual o sentido disso tudo?”.
Não, não se afasta, por eu ter dito o quanto você vive junto de mim, quem sabe, você ficando dentro de mim, as coisas não se tornariam com mais sentido?
Pode vir. Entra, fica dentro. E invade olho, fígado, pulmão. Quem sabe coração?
Não. Cabeça não. Já ta cheia de você! Todos os pensamentos sempre são teus ou sobre você.
Mas afinal, que diferença faz, tentar achar o sentido do sentir?
É melhor que eu fique só assim, sentada, sentindo.
No sentido que tem, começar a sentir de repente, algo muito sem sentido. E só pensar, pensar, pensar. Pensar e arder.
Olhar as cores tão vivas, o café tão quente, e pensar de novo: “qual o sentido disso tudo?”.
Não, não se afasta, por eu ter dito o quanto você vive junto de mim, quem sabe, você ficando dentro de mim, as coisas não se tornariam com mais sentido?
Pode vir. Entra, fica dentro. E invade olho, fígado, pulmão. Quem sabe coração?
Não. Cabeça não. Já ta cheia de você! Todos os pensamentos sempre são teus ou sobre você.
Mas afinal, que diferença faz, tentar achar o sentido do sentir?
É melhor que eu fique só assim, sentada, sentindo.
Doce Mantra
Na confusão dos dias há você,
Luz para eu nunca me perder
Na revolução dos meus ideais,
Olhos que me tiram dos umbrais
Sorri pra mim e me faz
Sonhar com a hora de te encontrar
Sopra em mim vento de vela
Pra meu barco ir longe, viajar
- Meu coração, há quem dirá palavras assim como ele faz?
- Minha oração a quem será se não a ele, doce mantra?
Meditação é olhar teu sorriso sem preocupação
Contemplação é me ver refletida na íris de tua emoção
Cuida, cuida de mim
Quando deixas que eu cuide de ti
Canta um anjo em mim
Quando deixas que cante pra ti.
Luz para eu nunca me perder
Na revolução dos meus ideais,
Olhos que me tiram dos umbrais
Sorri pra mim e me faz
Sonhar com a hora de te encontrar
Sopra em mim vento de vela
Pra meu barco ir longe, viajar
- Meu coração, há quem dirá palavras assim como ele faz?
- Minha oração a quem será se não a ele, doce mantra?
Meditação é olhar teu sorriso sem preocupação
Contemplação é me ver refletida na íris de tua emoção
Cuida, cuida de mim
Quando deixas que eu cuide de ti
Canta um anjo em mim
Quando deixas que cante pra ti.
domingo, 17 de outubro de 2010
Era doce a paz que eu sentia.
Era lindo
Como ele fazia cóssegas na minha alegria
e arrancava de mim os melhores sorrisos todos os dias...
Era mágico como ele conseguia transformar meu amor em poesia
com versos, estrofes e rimas em constante harmonia...
Era doce a paz que eu sentia naquele abraço cheio de magia
até dormir no embalo dos nossos corações em sintonia.
sábado, 16 de outubro de 2010
Amor e arte.
Velhos sentimentos guardados em livros empoeirados
Amor e arte, puro estandarte meu
O meu futuro parece traçado
Escreve meu destino no seu
AH! Eu quero mais dias
Ao seu lado, sentir-me guardada
Vinhos, poesias, histórias sobre nossos dias
Choveu, enquanto escrevia
Meus pensamentos para conforto meu
Acalma-me contar meus desejos
Em novas poesias
Depois recitar meu apego
Por você, pra que você sorria.
Amor e arte, puro estandarte meu
O meu futuro parece traçado
Escreve meu destino no seu
AH! Eu quero mais dias
Ao seu lado, sentir-me guardada
Vinhos, poesias, histórias sobre nossos dias
Choveu, enquanto escrevia
Meus pensamentos para conforto meu
Acalma-me contar meus desejos
Em novas poesias
Depois recitar meu apego
Por você, pra que você sorria.
domingo, 10 de outubro de 2010
Suas palavras
Se você soubesse o que me acontece
Quando vago em suas palavras,
Escritas no torpor da vida,
Na lucidez da poesia.
Viajo, vago, acho, perco,
Desejo estar nos seus versos,
Afogar-me na luz de seus olhos,
No mel da cor dos seus olhos,
No mel do sabor dos seus lábios
Entre vírgulas e sílabas
Encontro você...
E a mim...
Seu perfurme está nos livros,
Nas páginas, nos meus sonhos.
Penso tanto quanto leio
E releio, releio, releio você.
Se você soubesse o que me acontece
Quando vago em suas palavras,
Deixaria-me ser também
Páginas do seu livro?
Quando vago em suas palavras,
Escritas no torpor da vida,
Na lucidez da poesia.
Viajo, vago, acho, perco,
Desejo estar nos seus versos,
Afogar-me na luz de seus olhos,
No mel da cor dos seus olhos,
No mel do sabor dos seus lábios
Entre vírgulas e sílabas
Encontro você...
E a mim...
Seu perfurme está nos livros,
Nas páginas, nos meus sonhos.
Penso tanto quanto leio
E releio, releio, releio você.
Se você soubesse o que me acontece
Quando vago em suas palavras,
Deixaria-me ser também
Páginas do seu livro?
Dois.
Então ela chega, cansada, acabada, de tanto não saber mais o que saber. Ela já tem tanta certeza do que quer, que fica difícil reinventar algo, ou uma chance, ou um simples adeus. E senta, e olha, e ver aquilo que não quer. A pureza, o amor. E olha nos olhos dele, e vê que tudo foi de verdade. A verdade dele, não a sua.
- Você não vai falar nada?
-Não tenho nada a dizer.
-Por quê?
-Por que não sei.
-Não sabe o que?
-Não sei. Só isso.
Ela vai me deixar louco com esse olhar seguro, de quem sabe tudo o que quer dizer, e não diz nada. Só me olha, só me acaba.
-Então, sabe, todo esse tempo, a gente meio que afastado, senti muita falta de algo que não sei na verdade o que é. Só sei que senti falta.
-Foi? Do que?
-Não sei. Acho que sua falta. Não sei.
-Minha falta?
-É. Por quê?
-Não sei. Você me parece tão determinado nas coisas, que não sei se alguém sente falta do que se podia ter.
-E eu pude lhe ter?
-Sim.
-Sim?
-Claro. Mas não teve.
-Eu sei. Por que não tive?
-Não sei. Você sabe?
-Não.
Lá vem ele com sua pureza. Sua sensibilidade. Aquela verdadeira, aquela que eu queria ter. Ah, por que tudo é tão difícil? Só queria dizer um “não”. Não, não quero. Mas, por que não consigo? Por que não da?
-É, não sei. Quer dizer, não verdade sei muito bem, mas não sei como te dizer.
Ai, será que ela quer encerrar de vez isso tudo, que quase nem se quer começou? Será que é agora meu Deus? Agora eu irei morrer aos pedaços, sabendo que tudo vai se acabar?
-Sabe, tenha calma. Eu só te chamei aqui, pra gente conversar, como dois amigos. Bons amigos. Só isso. Pode ser?
-Claro.
-Então, como está você?
-Bem.
-Hum.
Ela não ajuda.
O que ele está tentando fazer?
-É esse o nosso papo?
-Não. Você quer café?
-Não.
Acho que vou dizer.
-Está bem. Não da pra ser assim. Vou direto ao ponto.
-Ok.
-O que foi isso que aconteceu? O que deu em você? A gente ia tão bem, eu te amava, você me amava, e do nada acabou. Terminou. Você terminou!
-Ah, você quer respostas muito complicadas. Eu só não soube te amar.
-Me amar? Não soube?
-Sim. Não soube. Você me amava demais.
-E você não?
-Amar não.
Ah, lá vem o martírio. Eu sabia! Eu sabia que ela não me amava.
-Na verdade não sei o que aconteceu. Eu só quis ficar um pouco só.
-E já não foi tempo o bastante?
-Não sei.
-Quem sabe? Pelo amor de Deus!
-Não sei quem sabe. Só sei que eu não te amei o quanto você mereceu. E por isso fiz o que é certo, pra você, pra mim.
-Mas eu te amei.
-Eu sei. Por isso mesmo.
Como é possível isso? A gente se amava, eu sei. A gente se amava. A gente se amava. Ela me amava!
-O que?
-O que foi? Não disse nada.
-Você disse. Algo, do tipo “ela me amava”
Meu Deus, ela ouviu o que eu pensei! Ela ouviu.
-Não. Não disse nada.
-Ta, mas, aonde você quer chegar com tudo isso?
-Ah, eu não sei. Eu quero chegar lá. Onde dá pra chegar. Ao máximo, ao extremo.
-Você está bem?
-Não. Não estou. Como você tem coragem de chegar para mim, depois de tudo vivido, e dizer que não me amou? Como?
-Eu só respondi sua pergunta.
-Mas não era isso que eu queria.
-O que era? Ouvir que eu te amo?
-É. Pode ser.
- Ok, eu te amo.
-Mas não é verdade!
-Pois é...
-Ah, por que isso? A minha verdade é que você me ama.
-Mas eu não amo.
-Ama sim. Me ama quando durmo, me ama quando penso. Você sempre me ama quando penso em nós dois.
-Sim, te amo nas suas fantasias. Mas na vida real não.
O que é isso? Ele acha mesmo que todas as suas fantasias é a vida real? Não. Eu não o amo. Eu não o amo. Eu sei disso.
Por que isso? Não consigo entender mais nada. Ainda acho que ela me ama, por que ela teria me chamado pra conversar então? Pra me olhar e dizer que não me ama? Como isso é possível? Ela me ama. Eu sei disso. Me ama.
-Então. Vamos ficar nós dois aqui, em silêncio?
-Por que não?
-Por que eu vim aqui pra conversar.
-Então converse!
-Não sei mais o que te dizer.
Ele está paranóico!
Ela me ama, ela me ama...
-Na verdade, eu não sei o que te dizer, depois de saber, que enquanto eu pensei que nós dois nos amávamos, na verdade eu te amei por nós dois. Não sei mais o que pensar.
-Eu sei.
-Sabe?
-Sei. Pense no que é. No fato.
-Mas eu não sei qual é o fato.
-Sabe. Eu não te amo, e não te amei.
-E por que você veio aqui então.
-Não sei. Eu precisava te falar algumas coisas.
-Então me fala.
Será que é isso mesmo? Será que estou fazendo a coisa certa? E se nunca mais eu achar alguém que me ame tanto como ele, o que vou fazer? Será que eu realmente não o amo?
-Eu estou confusa. Não tenho certeza do que quero te dizer.
-Então antes, lembra de tudo.
-De tudo o que?
-Tudo que a gente já viveu.
-Mas não foi muita coisa.
-Melhor. Mais fácil de lembrar.
Eu queria poder mudar todo o caminho dessa historia. Inverter. Queria brincar com ela, como se fosse um bonequinho, manipulá-la como ela faz comigo. Eu me sinto tão pequeno junto dela. Ela é tão grande. Esses lábios vermelhos, que me engolem ao falar, essas unhas grandes cor de vinho, que me tiram toda a atenção acabam comigo. Seus cabelos. Ah, tudo me manipula, tudo me hipnotiza. Eu não consigo. Quero crescer, mas não sei como. Sinto-me uma formiga, um ponto, um grão. E ela pisa em mim, a cada palavra, a cada verbo, a cada respirar, ela acaba comigo. E ela me enche de emoção, com suas convicções, com suas afirmações. Enche-me de melancolia, me enche de medo. Ah, como ela é grande.
-Por que você está me olhando assim?
-Não sei. Você é linda!
Por que ele sempre faz isso? Eu não agüento. Ele vem tentar me ganhar com seus elogios. Eu não agüento. Esse olhar imenso que ele tem, e sua barba mal feita, seu cabelo bagunçado. Isso me acaba. Seu sorriso. Ai. Não sei mais. O que vim fazer aqui? Por que não vou embora? Por que não consigo ir embora? Não temos mais nada o que falar.
Acho que ela quer ir embora. Meu Deus, o que eu faço? O que eu faço pra ela não ir?
-Eu acho que já vou.
-Por quê?
-Estamos aqui, os dois, calados.
-Eu falo!
-Então fale.
-Tenho medo.
-Medo? De que?
-Medo...
-Ah, pelo amor de Deus. Fala.
-É mesmo o que você quer?
-Sim.
-Ta.
Vamos lá... Você consegue, vamos lá.
-Por favor, não fala nada enquanto eu estiver falando. Só escuta, ta?
-Ta.
- Eu gosto muito de você ainda. Ainda paro no tempo, e fico tentando entender o que aconteceu. E tentando entender como você tem capacidade de acabar, e depois chegar pra mim e dizer, “eu gosto de você, mas não quero te machucar".
Meu Deus. Ele enlouqueceu.
- E, eu não sei. Eu não sei o que se passa. Em uma hora eu te odeio, na outra te adoro. É algo sem noção mesmo. Eu não te quero mais. Por que sei que se te tenho de novo, vou acabar me ferindo mais ainda. Mas tem tanta coisa, tanto sentimento entalado em mim. Eu só preciso falar. Por que eu odeio e ao mesmo tempo amo, quando tu me olhas com aquele olhar confirmando o teu sentimento, ou fingindo. Sei lá.
-Eu não sei o que te dizer.
-Não. Ainda não é hora de saber o que me dizer, não terminei. Sabe, eu to cheio de ter que te olhar todo dia, e me conformar que tudo, tudo acabou por nada. Ou por que você não queria me machucar. Será que assim não machucou mais? Eu sou um idiota de ta te dizendo isso, e em cada palavra, letra, frase que falo, eu me arrependo. Arrependo-me de ta me rebaixando tanto dizendo essas coisas todas. E eu só to cheio de me enganar tanto sabe? De ficar criando ilusões de que eu não gosto de você. E ter que ficar falando pra todo mundo que te esqueci e que o nosso tempo já passou e que não foi nada demais. Mas eu não quero nada. Eu não quero mais nada. Só quero desentupir isso... Não agüento mais tudo entalado dentro de mim.
Meu Deus, ele está chorando. Eu nunca o vi chorando. Eu não estou entendendo mais nada. Ele me ama muito. Não sei o que fazer, não sei o que dizer. Ele me ama muito. Só sei disso. O que fui fazer? O que vou fazer? Não sei. Ah, meu Deus.
-Não chora, por favor.
-Não estou chorando.
-Está sim.
-Você queria o que? Acha que foi fácil te dizer tudo isso?
-Não. Claro que não.
-Então, por que não me fala nada.
-Por que já disse, não sei o que dizer.
-Você sempre sabe o que dizer.
-Você me fascina.
-Fascino?
-Sim. Sempre te admirei.
-Foi? Por quê?
-Esse seu jeito, surpreendente, inesperado.
-O que você quer dizer com isso?
-Nada, só que você me fascina.
-E isso é bom?
-Não sei.
Será que ela me ama?
O que será isso que eu estou sentindo? Acho que um dos piores sentimentos que alguém pode sentir, é o de ser pequeno. É de ter tudo nas mãos, ou pelo menos pensar que esse “tudo” existe mesmo, e não poder fazer nada. Ou acreditar, de que mesmo se alguma atitude for tomada, nada vai mudar. É impossível acreditar. É impossível saber o que realmente é real. Você não sabe que se o que você pensa é a verdade, é o seu orgulho ou é o seu amor. Não da pra saber. O que é a verdade? Em um segundo ela é o amor, no outro ela não é nada. Só é algo, que já passou faz tempo. Como eu fico? Como eu ajo? Como eu penso?Ele me ama tanto...
-É isso?
-Isso o que?
-Vamos os dois ficar calados novamente?
-Ah, eu não sei. Você já me falou tanta coisa, mas ainda não sei o que dizer.
-Não precisa falar nada.
-Não?
-A princípio não.
Tenho que me conformar com o simples nada? Não dá. Eu quero tudo. Eu quero pensar o que realmente se é, eu quero agir como realmente devo, eu quero ficar com quem eu amo. Eu quero viver o que se passa no momento. Eu quero amar, eu quero desejar sem impedimentos, sem pena, sem amizade. Só amar, só desejar, só ter. Ter tudo, tudo que se chama tudo. Não o que possivelmente eu posso ter. Mas tudo mesmo. Eu quero sentir a paz, ao sentir o gosto dela, sem ter que sentir orgulho, e ter que interromper minha paz. Ter que interromper meu pensamento. Sem ter que interromper meu sentir. O sentir real. Aquele ela não sabe o que é. Só eu sei. Só meu orgulho sabe. Só meu sofrer sabe. Ela não sabe o que é amar. E a entendo, não a culpo de nada, isso é uma característica dela, de não saber amar. Isso é uma necessidade dela, de não saber amar.
-É o que?
-O que?
-Você disse que eu não sabia amar?
Ela ouviu meu pensamento de novo. Como é isso?
-Não, não disse. Mas realmente, você não sabe amar.
-Como é? Como você diz isso?
-É isso mesmo, você não sabe amar, mas não te culpo por nada disso.
Ele está louco. Ou será que estar certo?Será que realmente eu não tenho capacidade de amar?
-Você pode estar certo.
-Você acha?
-Sim. Você me deu tudo que precisava. E mesmo assim não te amei.
-Não me fala isso. Já ouvi demais que você não me amou.
-Me desculpa. Não queria te magoar.
-Mas magoou demais.
-Demais?
-Sim, demais.
-Me desculpa. Eu quis ser tua paz, eu quis te dar tudo, eu quis gostar de você, mas não sei o que houve.
-Você nunca sabe.
-É. Você tem razão. Eu não presto, eu sou uma idiota!
-Não fala isso. Também não precisa disso.
-Não? Olha o que te fiz. Não é possível. Eu quero te amar.
-Quer?
-Sim. Quero te amar, quero te desejar. Quero-te, mas querendo de verdade, e não fingindo.
-E agora, você me quer mesmo, ou só está fingindo.
-Não sei. Você é tão doce comigo, que já não sei mais.
-Me ama.
-Não sei.
-Tenta. Ama-me.
-Não sei se consigo.
-Deixa eu te beijar.
-Não é hora.
-Por quê? Eu preciso.
-Precisa? Por quê?
-Pra saciar, pra acabar com meu desejo. Eu preciso beijar tua boca vermelha.
-Não. Não posso. Não quero me enganar.
-Por favor.
-É melhor não.
Ela me acaba. Como ela consegue ser assim? Tão grande. O tempo todo. Eu preciso sentir-me protegido nos seus braços. No seu corpo. Preciso sentir o naufrágio de sua boca vermelha. Preciso encostar minha cabeça em seus seios pálidos. Como eu a desejo, como eu a quero. Meu Deus. Quem é essa mulher? Que desejo, quanto a desejo. Eu preciso.
Não posso. Você não o ama. Não o ama. Isso tudo é um truque, pra que tudo volte à estaca zero. Não se entregue, finja firmeza, olhe firme, continue com postura de dominadora. Não se deixe levar.
Ela está fechando os olhos aos poucos. Não vai resistir a esse momento.
Não se entregue, você consegue.
-É melhor parar.
-Por quê?
-Por que, é melhor parar. Não quero te iludir de novo.
-Já iludiu.
-Culpa sua.
Como eu a odeio! Ela sempre faz isso.
-Desculpa-me por te dizer isso, eu sinto pena de você por isso. Mesmo eu amando, tão angustiadamente, eu posso um dia dizer que eu amei, que eu senti, que desejei de verdade, sem ser nada superficial, sem ser nada falso. Eu posso escrever sobre o amor, por que eu já o presenciei. Eu já o senti. Eu toquei o amor. Eu beijei o amor. Eu comi o amor. Eu vivi o amor. Mesmo sem nada em troca. Só que eu sei o que é. Eu tenho o direito de falar, por que eu sei o que é amar. Você só sabe o que é atração. Oh, grande coisa. “Eu sinto muita atração por você, por isso te beijei”. “É, te beijei por um instante, por que eu te amei, e isso não passa tão rápido”. Veja só. Diferencial em? Todo instante, algo em mim se esfumaça, vira po. E o pior de tudo, que ainda continua a me enganar, e fico arranjando as respostas. Todo dia te vejo, e finjo que nada se passa. Missão impossível. Não te ver. Não te olhar. Não sentir teu cheiro. Missão impossível também não me odiar por eu me maltratar tanto, ainda te amando. Ah. Ainda te querendo, até mesmo te sentindo.
-Você só tenta me derrubar.
-Não, nunca. Só estou tentando ser sincero.
Ele tem razão, eu nunca presenciei o amor. Nunca.
-Eu não sei o que fazer.
-Nem eu sei mais.
-O que faço, me diz?
-Não sei. Você é muita cabeça dura.
-Cabeça dura?
-Sim. Não se dar uma chance de me amar.
-Mas já dei, e não deu.
-Eu te quero. Ainda te quero.
-Eu não sei.
Por que isso não acaba logo? Eu quero dominá-la, eu quero tê-la toda pra mim.
O que faço? O que faço?
Silêncio....
-De novo.
-O silêncio?
-Sim.
-Esse silêncio de nós dois sempre me chamou muita atenção.
-Foi? Por quê?
-Por que, ele sempre está presente mais do que tudo.
-É verdade.
O que faço. Esse homem está me possuindo.
-Por que você é tão idiota, mulher?
-Como é?
-É isso mesmo. Por que você é tão idiota?
-Ã? Você está louco! Eu vou embora.
Eu vou embora? Por que não consigo sair daqui? Por quê?
Não, ela vai embora. Não quero que ela se vá. Não posso deixar.
-Não agüento mais seus insultos. Eu vou embora. E o que vim te dizer, é que dessa vez, está tudo acabado. E que eu sei, sou uma hipócrita, que não tem a mínima capacidade de amar nem uma mosca, e que sou fraca. Realmente, agora tenho as minha certezas de que não sou a mulher certa pra você. Você vai achar outra muito melhor que eu, e que te mereça.
-Não, por favor, não vá. Eu preciso de você.
-Não. Eu já vou.
Por que ela se vai meu Deus. Eu preciso dela. Por favor, não deixe que ela vá.
O que estou fazendo? Eu preciso ir. Eu preciso ir. Não posso me deixar induzir por esse pequeno momento, por esse pequeno sentimento que está surgindo. O que é isso? O que é isso? Minhas mãos estão soando, minha barriga dói, meus olhos... O que isso? Que emoção.
-Por favor, não vá. Eu te amo. Eu preciso te amar.
-Eu preciso também. Ir.
Ela pegou a bolsa, o casaco, meu Deus ela vai. Não posso deixar. Ela se vai.
Eu vou embora. O que é isso nos meus olhos? Por que estou chorando? Não. Não é possível, agora já chegou o fim. Tenho que ir, tenho que partir. Eu já vou. Eu vou. Conseguirei ir.
-Eu já vou.
-Você? Você chorando?
-Não interrompa minha partida, já está sendo difícil demais isso tudo.
-Você me ama?
-Não tenho certeza, preciso ir.
-Antes você tinha certeza de que não me amava, e agora não tem certeza se me ama.
-Eu preciso ir, por favor, me deixa ir.
O que é isso? Estou diminuindo? Estou ficando pequena? O que é isso, estou necessitando do seu colo... Não posso. Seja forte, cresça de novo. Cresça.
-Tchau, a gente se ver por ai.
-Não deixe que isso tudo passe assim.
-Tchau.
Ela se foi. Não acredito. Ela se foi mais uma vez. Em carne, em amor. Ela se foi. Não posso mais agüentar esse clichê. Não posso. Essa rotina me cansa. Ela vem, me maltrata me domina, e se vai. E me esquece.
Meu Deus, como esse elevador se tornou pequeno, como os andares aumentaram os espaços, a garagem parece não chegar. Como está tudo apertado, o elevador, o prédio, o casaco, o peito. Tudo dói, tudo imprensa. Por que não consigo me segurar? Por que não consigo ficar em pé?
*Existem momentos entre duas pessoas que apenas os dois conseguem compreender. E o sentimento algumas vezes nem eles são capezes de entender ou definir.
sábado, 9 de outubro de 2010
Eu tive medo que – tarde da noite, quando a exaustão pela falta de sono quebrasse minhas defesas – que eu acabasse me dando por vencida. Eu tive medo que minha mente fosse como uma peneira, e que algum dia, eu não lembrasse mais a cor exata dos seus olhos, a sensação do toque da pele fria dele, ou da textura da voz dele. Eu podia não pensar nisso, mas eu precisava me lembrar disso. Porque só havia uma coisa na qual eu precisava acreditar para ser capaz de viver – eu precisava saber que ele existe. Isso era tudo. Todo o resto eu podia suportar... Desde que ele existisse.
Steph Meyer, adaptado.
Steph Meyer, adaptado.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
"Parece a mesma flor, só muda o coração"
Preferia mil vezes tua apatia a essa coisa de ignorar o que se passa ou esse jeito de falar que um dia fez sorrir o coração. E ainda acreditavas que atenderia o teu chamado. Insensata criatura. Não preciso, nem quero, que sintas o que sinto ou que entendas o que se passa, mas apenas que meu silêncio, que já não é nem mentira nem omissão, te afaste para longe dos olhos e do pensamento. Palavras, gestos e silêncios de todas as formas suplicam pela distância. As palavras resultaram inúteis e hoje, mecânicas, tentam em vão tornar natural aquilo que dilacera tudo do lado de dentro. Sigo fechando portas sem olhar pra trás acreditando que mais uma vez meu silêncio gritará em teu ouvido reclamando minha paz e minha metade de volta, sem toques propositais e olhos inquietos. Quero duradouros sorrisos largos e imotivados, junto com essa primavera e céu azul que preenchem tudo por dentro e entraram pela mesma porta que você deixou aberta. Quero distância para poder estar mais perto. Quero novos olhares, olhos nos olhos mostrando verdade, olhar em qualquer direção enxergando futuro e não passado. Quero brisa no rosto e coração em brasa. E, ao perguntares sobre mim, sorrir leve e dizer que continuo a mesma, o que mudou foi o coração.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
O que vai e vem é sempre eterno.
Buscando lições em cadernos antigos, ela encontrou isso (de outros invernos tão cinzas quanto este):
"Vais dizer que penso demais, que me preocupo com os detalhes todos, que quero sempre os porquês. Vou dizer que nunca me ouves e finges entender o que não entendes. Estes espaços já estão grandes demais, entre nossas mãos, meu amor. Pensarei em dizer que estais me perdendo mas antes das palavras saírem flutuando pelo ar penso que queria sentir se algo seria mesmo perdido, se queres me ter, assim: com todas essas manias incuráveis, paixão pelo silêncio, medo das coisas grandes e incontáveis, amor pelos opostos. Então só direi que estais me fazendo sofrer. Não, não direi nada. Porque cinco minutos atrás estavas me causando gargalhadas na alma. Era isso, me fazias de louça, barro, forma tua. E era tão inquieto este "sentir-se pequena diante das cousas que me causavas". Era vontade, vontade demais que um dia me fizesses caber nos teus olhos, me fizesses tua, tua, como eu pensei que fosse. Já nem tens o que perder."
E numa letra tão apressada quanto o coração que o escrevia leu assim: "sentiria saudades tuas mesmo que não tivesse te conhecido."
Olhou longe e riu, que tudo já tinha se perdido demais e nada doía. Lá fora um sol azul chamava pra dançar: o samba de ontem, o teu riso largo, as noites adentro e nada demais. Tudo flutuava rumo à qualquer coisa que fosse simples, fácil, de poucas notas e silêncio.
"Vais dizer que penso demais, que me preocupo com os detalhes todos, que quero sempre os porquês. Vou dizer que nunca me ouves e finges entender o que não entendes. Estes espaços já estão grandes demais, entre nossas mãos, meu amor. Pensarei em dizer que estais me perdendo mas antes das palavras saírem flutuando pelo ar penso que queria sentir se algo seria mesmo perdido, se queres me ter, assim: com todas essas manias incuráveis, paixão pelo silêncio, medo das coisas grandes e incontáveis, amor pelos opostos. Então só direi que estais me fazendo sofrer. Não, não direi nada. Porque cinco minutos atrás estavas me causando gargalhadas na alma. Era isso, me fazias de louça, barro, forma tua. E era tão inquieto este "sentir-se pequena diante das cousas que me causavas". Era vontade, vontade demais que um dia me fizesses caber nos teus olhos, me fizesses tua, tua, como eu pensei que fosse. Já nem tens o que perder."
E numa letra tão apressada quanto o coração que o escrevia leu assim: "sentiria saudades tuas mesmo que não tivesse te conhecido."
Olhou longe e riu, que tudo já tinha se perdido demais e nada doía. Lá fora um sol azul chamava pra dançar: o samba de ontem, o teu riso largo, as noites adentro e nada demais. Tudo flutuava rumo à qualquer coisa que fosse simples, fácil, de poucas notas e silêncio.
Quando nasce um amor novo, é difícil resistir à tentação de alimentá-lo só com a presença. Mas é preciso deixar o amor respirar. Se você colocar uma flor bem bonita dentro de uma redoma, com medo que o vento e o tempo levem sua beleza, manterá por muito pouco tempo o que dela é bonito.
O que eu aprendi sobre o amor, é que ele é feito de faltas e presenças. E que nenhuma das duas pode faltar.
Aprendi que o amor é feito de liberdade. É como ter, todos os dias, muitas outras opções. E ainda assim fazer a mesma livre escolha.
Dessas pequenas vitórias se faz a alegria de amar e ser amado. Descobrir no olhar do outro que você foi escolhido de novo. E de novo, mais uma vez.
Também aprendi que o amor interrompido em seu auge permanece bonito para sempre. O que pode ser muito doído ou pode ser um presente. Depende de como a gente quer guardar. Depende de como a gente quer seguir.
O amor é feito de falta também. Mas aí mora um perigo: adorar mais a falta que o próprio amor. Posso cometer esse erro diante de quem amo ou diante da própria falta. E aí quem passa a faltar sou eu mesma. O amor é feito de falta, mas não sobrevive sem a presença. O amor é feito de hoje.
(...)
O que aprendi sobre o amor é que ele deve estar sempre distraído. Mas quando falta o objeto do amor é o contrário: melhor não se distrair nunca.
O que aprendi sobre o amor - e isso aprendi sobre o amor a mim mesma - é que ele exige de mim, todos os dias, um esforço. Um exercício diário do qual não posso abrir mão.
É como estar num mar profundo, sem barco ou bóia. Não posso simplesmente boiar. Posso relaxar um pouco, mas logo retomo o nado. Não posso boiar, não posso, não posso. A onda pode me levar.
(Cristiana Guerra, adaptado.)
O que eu aprendi sobre o amor, é que ele é feito de faltas e presenças. E que nenhuma das duas pode faltar.
Aprendi que o amor é feito de liberdade. É como ter, todos os dias, muitas outras opções. E ainda assim fazer a mesma livre escolha.
Dessas pequenas vitórias se faz a alegria de amar e ser amado. Descobrir no olhar do outro que você foi escolhido de novo. E de novo, mais uma vez.
Também aprendi que o amor interrompido em seu auge permanece bonito para sempre. O que pode ser muito doído ou pode ser um presente. Depende de como a gente quer guardar. Depende de como a gente quer seguir.
O amor é feito de falta também. Mas aí mora um perigo: adorar mais a falta que o próprio amor. Posso cometer esse erro diante de quem amo ou diante da própria falta. E aí quem passa a faltar sou eu mesma. O amor é feito de falta, mas não sobrevive sem a presença. O amor é feito de hoje.
(...)
O que aprendi sobre o amor é que ele deve estar sempre distraído. Mas quando falta o objeto do amor é o contrário: melhor não se distrair nunca.
O que aprendi sobre o amor - e isso aprendi sobre o amor a mim mesma - é que ele exige de mim, todos os dias, um esforço. Um exercício diário do qual não posso abrir mão.
É como estar num mar profundo, sem barco ou bóia. Não posso simplesmente boiar. Posso relaxar um pouco, mas logo retomo o nado. Não posso boiar, não posso, não posso. A onda pode me levar.
(Cristiana Guerra, adaptado.)
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Bipolar...
Eu amo desorganizado, desenvergonhado. Tenho um amor que não é fácil de compreender porque é confuso. Não controlo, não planejo, não guardo para o mês seguinte. A confusão é quase uma solidão adicional. Uma solidão emprestada. Sou daqueles que pedirá desculpa por algo que o outro nem chegou a entender, que mandará nova carta para redimir uma mágoa inventada, que estará se cobrando antes de dizer. Basta alguém me odiar que me solidarizo ao ódio. Quisera resistir mais. Mas eu faço comigo a minha pior vingança. Amar demais é o mesmo que não amar. A sobra é o mesmo que a falta. Desejava encontrar no mundo um amor igual ao meu. Se não suporto o meu próprio amor, como exigir isso?
Um dia li uma frase em Hegel: "nada de grande se faz sem paixão". Mas nada de pequeno se faz sem amor. A paixão testa, o amor prova. A paixão acelera, o amor retarda. A paixão repete o corpo, o amor cria o corpo. A paixão incrimina, o amor perdoa. A paixão convence, o amor dissuade. A paixão é desejo da vaidade, o amor é a vaidade do desejo. A paixão não pensa, o amor pesa. A paixão vasculha o que o amor descobre. A paixão não aceita testemunhas, o amor é testemunha. A paixão facilita o encontro, o amor dificulta. A paixão não se prepara, o amor demora para falar. A paixão começa rápido, o amor não termina.
Não me dou paz sequer um segundo. Medo imenso de perder as amizades, de apertar demais as palavras e estragar o suco, de ser violento com a respiração e virar asma. Até a minha insegurança é amor. O pente nos meus cabelos é faca enquanto é garfo para os demais. Sofro incompetência natural para medir a linguagem das laranjas, acredito desde pequeno que tudo o que cabe na mão me pertence. Minha lareira não dura uma noite, esqueço da reposição das achas, do envolvimento da lenha no jornal, de assoprar o fundo. Brigo com o bom senso. Ou sinto calor demais ou sinto frio demais. Uma ânsia de ser feliz maior do que a coordenação dos braços. Um arroubo de abraçar e de se repartir, de se fazer conhecer, que assusta. Parece agressivo, mas é exagerado. Conto tragédias de forma engraçada, falo de coisas engraçadas como uma tragédia. Nunca o riso ou o choro acontece quando quero. Cumprimento como se fosse uma despedida. Desço a escada de casa ao trabalho com resignação, mas subo na volta pulando os degraus. Esse sou eu: que vai pela esperança da volta.
Fabrício Carpinejar.
Não me dou paz sequer um segundo. Medo imenso de perder as amizades, de apertar demais as palavras e estragar o suco, de ser violento com a respiração e virar asma. Até a minha insegurança é amor. O pente nos meus cabelos é faca enquanto é garfo para os demais. Sofro incompetência natural para medir a linguagem das laranjas, acredito desde pequeno que tudo o que cabe na mão me pertence. Minha lareira não dura uma noite, esqueço da reposição das achas, do envolvimento da lenha no jornal, de assoprar o fundo. Brigo com o bom senso. Ou sinto calor demais ou sinto frio demais. Uma ânsia de ser feliz maior do que a coordenação dos braços. Um arroubo de abraçar e de se repartir, de se fazer conhecer, que assusta. Parece agressivo, mas é exagerado. Conto tragédias de forma engraçada, falo de coisas engraçadas como uma tragédia. Nunca o riso ou o choro acontece quando quero. Cumprimento como se fosse uma despedida. Desço a escada de casa ao trabalho com resignação, mas subo na volta pulando os degraus. Esse sou eu: que vai pela esperança da volta.
Fabrício Carpinejar.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
É preciso que alguém me toque profundamente
Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressivo e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso.
Caio Fernando Abreu, meu guru.
Caio Fernando Abreu, meu guru.
Assinar:
Postagens (Atom)

