Quem sou eu

Minha foto
"Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso responde-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.” [Anaïs Nin]

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Tempo de Silêncio

“As grandes pessoas monopolizam a arte de escutar. As pequenas a arte de falar.”
... responda com o silêncio, quando for necessário.
Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais.
Use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não responder em alguns momentos.
Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas.
E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas."

Um sempre é pouco.


Um sempre é pouco Eu não sei quanto a vocês, mas pra mim um sempre é pouco. Um bis, um salgado, um beijo, um selinho, um sms, um só scrap, um simples "oi", um chocolate (esse é uma puta sacanagem,né?), uma batata frita, uma hora de descanso, uma bola de sorvete, um mergulho, uma foto, uma ficada, uma só transa ou pior uma vez só em uma noite! Tudo bem, pela lógica, um é melhor que nenhum! Imagina nada ou nenhum dos itens acima? Morte fatal! Mas tem que ser mais de um! Tem coisas que precisam ser mais de uma vez ou comer mais do que três! Há vezes em que o um basta! Basta pra sair correndo! Como aquele cara lindo que te deu muito mole e você ficou, mas o coitadinho beijava mal. Ou aquele gostosão que se auto dominava Deus do Sexo - O Poderoso, O Grande - e você foi com tudo rumo a felicidade para a noite mais maravilhosa da sua vida e saiu triste. Pelos simples fatores: qualidade, quantidade e tamanho! Também tem aquela festa de aniversário, com aquele bolo delicioso que você não vê a hora do parabéns terminar para comê-lo e acabar com a sua dieta semanal. Mas quando você come o bolo é uma merda! Porque o maldito bolo contém tudo que você odeia em uma simples garfada! Resumindo, nesses casos: um beijo, uma trepada e uma garfada... bastam! Mas uma coisa eu confesso: nada melhor do que o dois, o três quando a gente se delicia na primeira vez. Porque como toda filha única (pelo menos do meu pai) quero sempre mais! E o pior, só pra mim. E quer saber o *mais* pior de tudo? Na hora que eu quero! Coisas de filha única que sempre comeu tudo sozinha, sempre escolhia e tinha. E principalmente, - um fato muito importante que a garota vento me fez pensar - nunca precisou dividir o prato de batata frita com ninguém! Deve ser por isso que pra mim um sempre é pouco... Pelo menos das coisas que eu gosto e que eu sempre quero mais...

"Às vezes a gente corre tanto pela vida e deixa passar tantas coisas bonitas... A gente corre tanto que não percebe as coisas, as flores na beirada do caminho. Às vezes a gente quer que o fruto amadureça antes do tempo. A gente tem muita pressa, mas somente o tempo sabe dar as coisas para a gente na hora certa. O tempo sabe o momento exato de dar o presente que a gente merece"

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Será?!


" Li que os críticos da antroplologia crêem que só de observar uma cultura, você inevitavelmente a transforma, existe ainda uma crença entre eles (antropólogos) de que devemos mergulhar em um mundo desconhecido para verdadeiramente entender o nosso próprio mundo." (Menino Carente)


Você pode fazer uma lista de qualidades que você acha importante em que a aoutra pessoa tenha(...), mas no fim, o coração tem a última palavra.

Decisão tomada!


Eu não sei o que será desse meu canto daqui pra frente.

Porque eu estou partindo e a vida lá fora é incerta.

Peço a Deus a cada instante que me proteja e me ampare.

Que me indique o caminho a seguir.

Porque tenho medo e nada posso fazer.

Chegou a hora de ir embora. De deixar isso e seguir o destino.

Sinto em mim uma dorzinha indefinível. É uma saudade do que ja passou. É uma saudade dessas pessoas que amo e que deixo. A vida é mesmo assim... incerta.

Já comecei a empacotar minhas coisas e fazer minhas malas.

Peguei minha flor e meu ursinho de pelúcia, meus porta-retratos, meus brincos, minha caixa de recordações e o endereço dos amigos. E agora está tudo lá. Naquele lugar que não é meu lar... mas que em breve será.

Naquela cidade que não é a minha... mas que daqui pra frente será.

E por mais que eu tema tudo isso, bate em mim uma ansiedade e curiosidade a respeito de tudo o que virá.

E sei que Deus está preparando o que há de melhor pra curar minhas feridas...

Sei que Ele não há de me desamparar. E que no final tudo dará certo.

E enfim chegou a hora de partir. Deixar a cidade cinza, partir para a cidade da Brisa!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

"... ♪ ҉ ♪ ... "

... ♪ ҉ ♪
... "Pouco não me serve, médio não me satisfaz, metades nunca foram meu forte.
Palavras até me conquistam temporariamente, mas atitudes me ganham, sempre!
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca......
Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação."
(Clarice Lispector)

Não querer ter sentimentos


A menina agora parece não querer ter sentimentos.
E ela quer negar seu sentimento, apesar de continuar a sentir.
Seu coração já acostumado bate sempre no mesmo ritmo.
Seus olhos sempre secos se perdem enquanto enxergam a cidade cinza.
Enquanto isso seus pés caminham mecanicamente para onde sempre vão.
Seu corpo já está acostumado, mas seu coração teima em relutar.
Seus olhos teimam em se abrir e querer ver a outra paisagem, mas vê tudo sempre cinza.
Nas ruas os carros correm.
Nos rostos os olhos estáticos.
Na televisão as pessoas sempre felizes.
E a vida segue, fingindo não ver a menina triste.
E a menina triste finge não ver a vida seguir.
Ela finge que a vida pode esperar por ela.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A placa de vende-se foi retirada. Temporariamente.


A menina tem um coração (e quem não tem?), doce as vezes, as vezes cansado e quase sempre cheio de perguntas sem respostas. Um dos terrenos, no interior do coração da menina, está sempre ocupado. Foi comprado logo que ela nasceu por pessoas a quem a menina aprendeu que se deve chamar de familia. É um terreno vitalício. Está sempre cheio, de açucar e de afeto e hoje em dia algumas vezes de saudade. Um outro terreno guarda os momentos fatalicos, com muitas partidas de war, muitos téras na madrugada e tapioca na mesa. Sabe, recentemente mais um terreno foi ocupado, por um quarteto fantástico (através da união de seus anéis). Há também terrenos individuais (e não menos importantes é claro). A menina vento possui um deles. Uma flor possui o outro. Quando a menina cresceu (apesar de não ter deixado de ser tão menina...) ela resolveu leiloar um dos espaços que há em seu coração. - Quem dá mais, quem dá mais. Gritava a menina. E gritou por anos. E muito demorou até que alguem aparecesse. Ainda de vez em quando aparecia um ou outro, ficava algum tempo, mas a menina era menina demais e o terreno ainda não estava pronto. Certa vez a menina o quis vender a um amigo, mas a única coisa que ele tinha a oferecer era alguns dias de carência. E isso não era suficiente. Porque na verdade ela já possuia outro terreno. E deixou a menina com a sua comprreensão. Outra vez, o menino moreno o quis comprar. Mas também não possuia muita coisa a oferecer. Havia dado tudo ao mundo e nada sobrara à menina. Teve também o menino carente que queria de qualquer jeito comprar o terreno. Tentou com flores e com telefonemas incansáveis. Mas para este a menina não queria vender. E não adiantou a insistencia. E assim, o terreno foi ficando abandonado. Foi guardando as desilusões, os arrependimentos e os casos mal-resolvidos. E com o tempo a menina foi se cansando de gritar. Não havia mais voz. - Quem dá mais. Fala ela baixinho que até chega a esquecer. - Tem alguém aí? mas só o eco responde: tem alguém aí, alguém aí, alguém aí... O terreno está vazio, acumulando velhas lembranças, juntando poeira e repetindo o eco. Mas, agora não importa. A cidade ao redor da menina não é cinza. A flor está ao seu lado. . A placa de vende-se foi retirada. Temporariamente.

A minha amiga vento...


"Menina... não venda seu terreno... aqui na terra das flores existem trocas ... a brisa que você tanto aguarda deve vir de terras distantes e tambem deve estar cansado. Por isso a flor precisa estar muito bonita para que ele a reconheça quando chegar. E não falo da beleza das petalas falo da beleza das essencias que uma flor madura é capaz de oferecer."

A chuva...


A menina sentou-se no degrau para esperar a chuva passar. Olhou a rua ao longe com o canto dos olhos como quem quer entregar os pontos. Respirou fundo. Olhou as horas. E ficou a ver o sol se pôr por trás dos prédios. Os pingos caíam pesados, nos telhados, nos carros, na rua. E a menina ficou a olhar as pessoas correndo da agua que caía do ceú. Límpida e gelada. Sentada no degrau a se proteger de sei-lá-o-quê a menina sentiu-se tão adulta que teve nojo dela mesma. E sentiu vergonha de estar sentada no degrau. De tentar protejer o cabelo. De não querer se molhar. E de resmungar quando os pingos começaram a cair. Percebeu que estava virando mesmo um cogumelo ( como diria o sábio Pequeno Príncipe). Esqueceu-se da delícia de se molhar na chuva. De colocar barquinho de papel no fio de agua que corre pelo meio-fio. De ficar com os dedos enrrugados. De pular nas poças d'agua. De molhar e sujar a roupa. De rodar com os braços abertos. E de levar bronca da mãe ao chegar em casa. A menina sentiu-se pequena por correr da agua que caía do céu. E por um instante ela olhou a chuva com os olhos da infância que ainda há dentro dela. Olhou somente. O corpo da menina não teve forças para novamente tomar banho de chuva, molhar os cabelos e enrrugar os dedos. Olhou as horas novamente. Viu os pingos da chuva enfraquecerem quase que por tristeza de ver que a menina perdera seu encanto. A menina atravessou a rua correndo com a bolsa sobre a cabeça. Entrou no onibus com o olhar cansado. E a chuva desistiu de pingar, na tristeza de ver que a menina, realmente, virara um cogumelo.

Sonhos, se realizam, ou não...


Vai menina, fecha os olhos. Solta os cabelos. Joga a vida. Como quem não tem o que perder. Como quem não aposta. Como quem brinca somente. Vai, esquece do mundo. Molha os pés na poça. Mergulha no que te dá vontade. Que a vida não espera por você. Abraça o que te faz sorrir. Sonha que é de graça. Não espere. Promessas, vão e vem. Planos, se desfazem. Regras, você as dita. Palavras, o vento leva. Distância, só existe pra quem quer. Sonhos, se realizam, ou não. Os olhos se fecham um dia, pra sempre. E o que importa você sabe, menina. É o quão isso te faz sorrir. E só.

A menina e a poesia.


A vida vira poesia. Nos olhos da menina. Poesia somente. Sem o dever de ser tristeza ou alegria. Metáforas que brincam em sua cabeça. O relógio que bate devagar na parede azul. Lentamente. Preguiçoso. O vento gelado que entra pela fresta da janela. O quase silencio quebrado pelo barulho do ventilador. A menina chega a gostar da solidão. As malas que não foram desfeitas. Em cima da cama que não foi arrumada. A poeira em cima dos móveis. E a luz do banheiro queimada. As janelas fechadas, que quase fazem a menina esquecer da cidade cinza. Fecha os olhos para o sol ou para a chuva que cai lá fora. Deita na rede, olha o céu. Esse mesmo céu que abriga as pessoas do coração da menina. E então, aqui, agora, faz de conta que não existe distância. E daí, nada mais importa. As metáforas fazem cosquinhas na sua cabeça. E seus olhos fazem poesia da vida. Sem o dever de ser tristeza ou alegria...

O ponto de interrogação


Ah, quer saber? Eu não sei mesmo o que fazer. E daí? Nimguém sabe... Você está acostumada a viver sozinha. Sempre. Aliás, você se acostumou a ir no cinema sozinha, escolher o filme que quer e a não ter ninguém de nhém-nhém-nhém no seu ouvido durante o filme. Sabe, estar sozinha é uma posição cômoda. Uma posição boa, eu diria, de certa forma. E de repente você não sabe. Você se vê de frente para o espelho, duas blusinhas na mão, os pés descalços e um ponto de interrogação na meio da sua cara no lugar onde deveria estar a maquiagem. O relógio desperta (aquele relógio que você pôs pra despertar para não chegar atrasada.) Você coloca qualquer uma das blusinhas correndo, o seu salto mais alto e tenta disfarçar o ponto de interrogação com um pouco de pó e blush (se é que isso é possivel...) Daí em diante a coisa só tende a piorar. Você chega, não sabe se beija, se abraça, se aperta a mão ou se diz apenas "oi, eu demorei?". Depois não sabe se assiste o filme que quer, se pergunta qual ele quer assistir (correndo o risco de ficar ouvindo tiros a noite inteira) ou se tenta entrar num acordo ( o que normalmente resulta em um filme que nenhum dos dois realmente queira assistir.). Tudo bem, ele é legal, inteligente, bonito e pergunta como foi seu dia. Ela também, finge ser normal melhor do que ninguém... Fala da faculdade, do ultimo filme que entrou em cartaz, é inteligente e bonita. Relaxa. Nimguém sabe o que fazer. Você olha pra ele, e lá está, um imenso ponto de interrogação. Ele também não sabe. Se segura sua mão. Se compra alguma coisa. Se olha pro relógio ou põe as mãos no bolso. E lá vamos nós... Ela não sabe, se deve ser ela mesma. Se pode rir alto. E contar piada. E falar mal do governo. Ou se deve, fingir que é normal. Rir quando ele tentar ser engraçado. Falar baixo. E deixar ele pagar tudo (por mais que ela não goste). Ele não sabe se fala de poesias, sobre filhos ou musculação, simplesmente por que não sabe se você vai achar lindo ou se vai rir da cara dele. Tudo porque ele está perdido... e quem não está? Tudo bem. Você se resolve e finge que é normal, reações contidas, fala baixo e anda de mão dada com a dele. Normal. Ambos estão cansados. Ambos estão perdidos. Ambos estão confusos. Assim como todas as outras pessoas que passam pela rua...