Quis morar onde fosse seguro por alguns minutos, fingindo acreditar que se pode parar os acontecimentos e respirar, colar os pedaços do coração e encarar tudo outra vez. Quis silêncio por dentro e tentar entender porque sempre coloca tanto sentimento em tudo o que se propõem a fazer, choro e tanta tristeza brotando por que, como diriam muitos, não vale a pena. Talvez ainda não saiba que NÃO vale a pena ou ache que vale a pena apostar em quase tudo, e quebrar o coração, do que nunca ter tentado. E tentou não pensar que tudo de ruim que vinha acontecendo tinha alguma ligação, sendo otimista foi pensar que a vida queria lhe ensinar tudo de uma vez e ensinamentos sempre doem. Atravessou a madrugada com dilemas tão antigos quanto as músicas que a faria se sentir tão bem em qualquer outro episódio que não aquele, hoje ou nunca mais. Estranhou o coração não estar ali, alguma coisa que ali existia já não existia mais, era só o passado balançando os dias incertos do presente.
Algo batia descompassado por dentro e respirar a fazia ficar tonta, quis sair daquele lugar, fazer todo o caminho de volta e esquecer que mais uma vez foi espiar o lado de dentro, como se quisesse apostar em coisa que não existiam mais. De alguma forma precisava saber que tudo ainda existia e deparou-se com um vazio, nada estava mais lá, o coração não batia, quadris, costelas e tudo tinham ido embora. Pensou que seriam dias cinza pela frente, tudo desmoronava, como se fosse o fim de um ciclo pra tudo começar novo. E ela que nunca soube aceitar os fins, desapegar, deixar ir, se viu pedindo que alguma coisa segurasse aquele lado de dentro pra deixar tudo esvaziar, andava guardando tanta coisa que não servia mais que no fim das contas sentiu que estava insistindo no que não tem porquê, nem nunca terá.
Fechou os olhos e só quis dormir sem lembrar que tinha um mundo lá fora pulsando mas que por enquanto havia tanto pra se consertar por dentro que talvez ela tivesse que deixar tudo ir correndo na frente e pegar o trem na hora que o seu coração aguentasse tudo que doía pelos dias. Aquele blues ainda soava por dentro, mas adormeu se perguntando onde a esperança foi fazer morada, tudo tinha mudado de lugar.





