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"Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso responde-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.” [Anaïs Nin]

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A menina e a poesia.


A vida vira poesia. Nos olhos da menina. Poesia somente. Sem o dever de ser tristeza ou alegria. Metáforas que brincam em sua cabeça. O relógio que bate devagar na parede azul. Lentamente. Preguiçoso. O vento gelado que entra pela fresta da janela. O quase silencio quebrado pelo barulho do ventilador. A menina chega a gostar da solidão. As malas que não foram desfeitas. Em cima da cama que não foi arrumada. A poeira em cima dos móveis. E a luz do banheiro queimada. As janelas fechadas, que quase fazem a menina esquecer da cidade cinza. Fecha os olhos para o sol ou para a chuva que cai lá fora. Deita na rede, olha o céu. Esse mesmo céu que abriga as pessoas do coração da menina. E então, aqui, agora, faz de conta que não existe distância. E daí, nada mais importa. As metáforas fazem cosquinhas na sua cabeça. E seus olhos fazem poesia da vida. Sem o dever de ser tristeza ou alegria...

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