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"Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso responde-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.” [Anaïs Nin]

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Não, não se afasta.

Sem sentido, sem sentir.Só sentada. Só isso. Sentada, parada, pensando no sentido disso tudo, afinal.
No sentido que tem, começar a sentir de repente, algo muito sem sentido. E só pensar, pensar, pensar. Pensar e arder.
Olhar as cores tão vivas, o café tão quente, e pensar de novo: “qual o sentido disso tudo?”.
Não, não se afasta, por eu ter dito o quanto você vive junto de mim, quem sabe, você ficando dentro de mim, as coisas não se tornariam com mais sentido?
Pode vir. Entra, fica dentro. E invade olho, fígado, pulmão. Quem sabe coração?
Não. Cabeça não. Já ta cheia de você! Todos os pensamentos sempre são teus ou sobre você.
Mas afinal, que diferença faz, tentar achar o sentido do sentir?
É melhor que eu fique só assim, sentada, sentindo.

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