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"Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso responde-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.” [Anaïs Nin]

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Cinco minutos ou cinquenta anos

Eu queria ser a maior das poliglotas para traduzir o estado atual das coisas. Nesses minutos exerceria qualquer outro papel que não fosse o de interrogação. Deixaria de ser a maior piada entre aquelas que conto por aí tentando convencer qualquer um da veracidade dos meus sorrisos projetados. Eu enviaria todas as cartas que escrevi e nunca mandei. Não mais alimentaria qualquer história que viesse agregada a um viés de ilusão. Colocaria um ponto em todas as pausas. Em seguida tomaria a quantidade suficiente de algum destilado para curar qualquer resquício de mágoa com zero lucidez e sorrindo de tudo, inclusive de mim. A partir de então, o ritmo seria o psicodélico que a vida tem obrigado nos últimos meses. Correndo na cadência dos anseios mais intimamente guardados, não mais me atrasaria. Eu chegaria na hora exata para viver qualquer felicidade que não exista apenas no plano do impossível, imaginaria que tudo poderia acontecer daqui cinco minutos ou daqui a cinquenta mil anos.

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