Me pegue.
Mas me pegue devagar, sem pressa. Como se pegasses um livro antigo, de rara edição, cujas folhas guardam algumas marcas do tempo, e prometem aventuras inéditas.Mas ao mesmo tempo em que me pegas com adoração, me pegue com vontade. Como se meu corpo fosse o líquido, que encerrasse a tua sede, saciasse a tua alma, e não houvesse mais tempo para esperar.
Me embale.
Como se ouvisses uma música secreta, audível apenas aos nossos ouvidos, e que contasse a história de um grande guerreiro de outrora.Mas me embale como se não houvesse música. Como se aquele silêncio de cúmplices fosse suficiente para cantar nossa noite.
Me olhe.
Mas me olhe no fundo. Como se minha íris fosse um poço profundo, que ora refletisse um verde-amarelado, ora um caramelo-dourado, e toda hora tivesse que ser vista com mais atenção.Mas me olhe direto. Deixando claro o teu desejo, a tua vontade, afim de que eu sentisse aquela fisgada dentro de mim.
Me siga.
Até que eu chegue onde não saiba mais como voltar, e não me permitas mais olhar para trás.Mas me leve, para que nunca esqueça que posso me perder sem medo, porque estás aqui, cavalgando comigo.
Me toque.
Como se minha pele fosse seda, e tuas mãos calejadas das lutas necessitassem do conforto que ela traz.Mas pegue prevenido, como se nela estivesse o fogo da fornalha, que forja tua armadura, mas que encerra a tua espada, e fosses bravo o suficiente pra não te queimar.
Me sinta.
Para que eu tenha certeza que estiveste comigo o tempo todo, subindo, descendo, perdendo os sentidos, encontrando o fundo, até o final. E para que eu saiba que este tenha sido só o começo.
E quando eu sentir que acabou, me pegue novamente, e faremos a velha centelha voltar a queimar, até o amanhecer.
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